José Gatti, ao lado de Fernando Marques Penteado, é um dos organizadores de Masculinidades teoria, crítica e artes. Aqui, ele nos escreve sobre o livro e sobre sua importância e contribuição nos estudos sobre masculinidade no Brasil.
Para nós da Estação, uma joia de obra.

“Masculinidades: teoria, crítica e artes, lançado pela Estação das Letras e Cores Editora, vem contribuir para preencher uma área pouco explorada nas ciências humanas no Brasil: os estudos sobre masculinidade. Por isso mesmo, o projeto do livro buscou reunir ensaios de diversos campos de conhecimento, todos explorando manifestações de masculinidades na cultura, nos meios de comunicação e nas artes.

São trabalhos que atualizam os debates e trazem novos marcos teóricos — como a teoria queer, que revolucionou os estudos de gênero nas últimas décadas mas ainda pouco conhecida no Brasil.

Entre os autores estrangeiros que contribuíram para o projeto estão o filósofo Lee Edelman, cuja obra tem sido enormemente influente nos países de língua inglesa e que é traduzido pela primeira vez para o português; Tom Waugh, cujos estudos sobre pornografia já se tornaram referência; Richard Dyer e Roy Grundman, dois dos mais importantes pesquisadores dos estudos de cinema na Inglaterra e nos Estados Unidos; James Green, especializado em história do Brasil; e ainda o argentino Adrián Melo, inédito entre nós, que trata de manifestações de masculinidade na literatura e no cinema de seu país.

gattiEntre os autores e autoras brasileiros, Carmen Rial traz sua vasta experiência como antropóloga especializada em gênero e esportes; Richard Miskolci apresenta sua pesquisa sobre comportamentos no final do século XIX e faz uma leitura ousada de Dom Casmurro; Lúcio Agra visita a obra e a biografia de um dos artistas mais polêmicos que o Brasil já teve, Flávio de Carvalho; Lúcia Villares examina a obra de Graciliano Ramos; e o ensaio de João
Luiz Vieira comprova porque ele é considerado um dos expoentes dos estudos de cinema em nosso país.

O livro contou, ainda, com o trabalho inestimável do artista e co-editor Fernando Marques Penteado, cujo projeto editorial reuniu obras de artistas como Daniel Sincel, Marcelo Krasilcic, William E. Jones e Rodrigo Bueno, todos eles com a masculinidade em seu horizontes criativo.”