A expectativa do mês é o lançamento do livro Economia da Moda – Porque hoje um modelo de negócio vale mais que uma boa coleção o segundo livro de Enrico Cietta publicado pela Estação das Letras e Cores Editora. O primeiro, de grande sucesso e já na segunda edição, é A revolução do fast-fashion – estratégias e modelos organizativos para competir nas indústrias híbridas.

Livro A Economia da Moda Enrico CiettaKathia Castilho, diretora da editora, explica que os cursos de Design de Moda fundamentaram e estruturaram um saber criativo para que ganhasse autonomia e se distanciasse da ‘indústria da cópia’ como era conhecida a produção de moda no Brasil. “Avançamos bastante neste sentido, mas nos distanciamos das abordagens de Negócios que hoje sentimos necessidade de discutir e estudar”.

O livro agrega diferentes visões e amplia a perspectiva de mercado envolvendo todos os agentes de produção, aproximando o leitor de cenário macro — ampliando o campo de análise e de estudo de mercado da moda.

Para saber mais, entrevistamos o autor Enrico Cietta que revelou ambição de fundar uma nova disciplina econômica a partir do livro — aquela que estuda as características dos produtos da moda, os modelos de comportamento das empresas e dos consumidores deste setor, além da estrutura deste mercado. Confira.

Você acredita que haja uma lacuna de estudos na área de Negócios de Moda na Academia?

O livro é teórico, mas tem a intenção de responder questões muito práticas sobre o setor da moda. A ideia é que ele seja um primeiro tijolo na edificação da economia da moda, disciplina que acredito dever ser ensinada em todos os cursos que tenham a moda como objeto, sejam eles de sociologia, semiótica ou design.

Na verdade, o que devemos é reconhecer a necessidade de um novo ponto de vista. Estivemos, nos últimos anos, um pouco bipolares; antes pensávamos a moda como uma indústria em desenvolvimento, com custos muito baixos de mão de obra. Depois nos demos conta de que, sendo a moda um produto da economia criativa, seria suficiente “vender” valores imateriais com o design, a marca ou a comunicação. Ambas as visões, do meu ponto de vista, são equivocadas.

“A moda é um produto criativo híbrido – denominação que eu proponho no livro – porque é tanto material e física quanto imaterial e criativa. Disto deriva que, na moda, as regras de mercado de outros setores funcionam apenas em parte.”

O consumidor escolhe de maneira diferente, os produtos devem ser pensados de maneira diferente, os mercados e as empresas funcionam de modo diferente. O livro propõe um novo tipo de pensamento, que leve em conta estas diferenças.

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“A Economia da Moda” será lançado primeiramente no Brasil e depois em outros países.

Por que publicar pela Estação das Letras e Cores Editora?

Construí uma parceria com a Estação das Letras e Cores Editora em 2010, quando lançamos o meu primeiro livro no Brasil “Revolução do Fast Fashion” e desde então essa parceria se fortalece. É a editora que há 10 anos se compromete a construir o pensamento de moda no país e a difundir ideias sobre moda, design, consumo, semiótica, comunicação e as suas interfaces, com renomados autores e também membros da comunidade acadêmica que são referências no Brasil. É por esse engajamento que escolhi a Estação das Letras e Cores Editora para publicar e lançar “A Economia da Moda”, que será lançado primeiramente no Brasil e depois em outros países.

Como funciona os percursos de leituras para o público: empresários, acadêmicos e até pessoas comuns interessadas em conhecer o backstage da indústria da moda?

Na verdade, o livro busca construir pontes entre o estudo da teoria econômica, a gestão operacional das empresas e o debate midiático sobre temas polêmicos da moda. Estou ciente de que corro o risco de desagradar todo mundo: posso acabar soando muito “empresarial” aos acadêmicos de economia, muito teórico aos empresários e pouco sensacionalista para o pessoal da mídia. Na verdade, o desafio é trazer estes pontos de vista e fazê-los convergir. Para isso, utilizei alguns instrumentos. Por exemplo:

“o livro é bastante longo, mas não precisa necessariamente ser lido integralmente. Indiquei, a cada público, alguns percursos de leitura que podem ser mais alinhados aos seus interesses particulares, e as partes mais teóricas foram separadas em box específicos.”

O livro também é dividido em três partes distintas: a primeira apresenta a teoria da economia criativa a sua relação com a moda, e tem um tom mais teórico e acadêmico; a segunda explica o valor do tempo, do risco e dos custos na gestão da empresa e tem um caráter mais gerencial; a terceira, por fim, é mais transversal e relacionada ao mercado, então apresenta um caráter mais popular, abordando questões como o e-commerce, a sustentabilidade e o futuro da cocriação entre empresa e consumidor.

Ainda que sem a pretensão de exaurir o tema – até porque isto seria impossível –, procurei abordar todos os aspectos relevantes. Imagino que isso possa ser útil a quem, mesmo não fazendo um curso de gestão da moda, queira conhecer alguns elementos de economia. Para quem tem conhecimento de economia, por sua vez, penso que o livro pode ajudar a aprofundar o tema das especificidades do setor da moda em relação a outros setores manufatureiros.

Sobre os percursos, eles não são inéditos, porém é um pouco como criar um percurso personalizado, mas em um livro que quer ser amplo, porque os temas são muitos e complexos. Por isso, os percursos de leitura funcionam como uma personalização de abordagem a um tema, a economia da moda, que pode ser abordado a partir de mais pontos de vista e de diversas pessoas com competências diferentes.